segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

21.01.13


É engraçado como em alguns momentos parece que o tempo não vai passar nunca, me lembro uma época que eu contei as semanas que eu ainda tinha aqui em Moçambique, eram 17...hoje eu olhei no calendário e lá está, 8 de fevereiro em duas semanas.

E me lembro ainda de estar em Michigan, esperando pelo time que tinha ido para o Malauí em fevereiro, quando o meu time começou. Ansiosa para ouvir as histórias, conselhos e ver as fotos. Hoje já penso na minha hora de voltar...onde vou mostrar as fotos, como vou contar as histórias. E principalmente como incentivar as pessoas a seguirem seus sonhos. Que não necessariamente precisa ser vir para a África.

Confesso que não tenho ainda a sensação se missão cumprida. Tenho mais a sensação de missão iniciada, e muito bem. Não que eu vá voltar exatamente para Chiúta e viver aqui, mas acredito que agora sou capaz de ver as coisas de outra maneira e consequentemente ter atitudes que tem um melhor resultado.

Coisas do dia-a-dia daqui que não fazia parte da minha zona de conforto. A temporada de chuvas começou em novembro, depois que chegamos de Vilaculus, a bomba de água que tira a água do subsolo estava danificada, isso significa. Baldes na chuva que vai ser daí que tiramos água! Me lembro da primeira vez que um dos professores que vive aqui colocou o balde na chuva. Pensei “sério? Banho de chuva na chuva até que é legal, mas...”.
Enfim, hoje eu espero ansiosamente pela chuva que vai encher os baldes e providenciar um banho de caneca bem refrescante! :D

O milho das machambas, ou pequenas hortas, também está bem grande. A quantidade de água foi boa para deixá-los altos. Ótimo,já que a base de alimentação aqui é o milho.

Infelizmente a água da chuva também trouxe um animalzinho, bem pequenino, preto e vermelho que libera um líquido e deixa uma alergia bem estranha. Luísa teve, eu tenho, mas já está melhorando a base de muita pomada.

Quando cheguei também tinha muita couve, já não é mais época. Feijão ás vezes, cabrito fez tempo que não vejo na panela, mas tudo bem, eu não como carne. Bom, não comia, a não variedade de alimentos me fez comer alguns franguinhos desde que cheguei. Carapaú, o peixe que vem da Namíbia, quando compram na cidade, tem. E frito eu até que gosto. Quando eu e meu trio temos dinheiro partimos para o macarrão e molhos enlatados, é uma forma de variar.

Achamos até leite condensado e só posso dizer uma coisa : MOÇA, isso é leite condensado. Nada mais.  haha
Ah, mais algo igualzinho é a farofa Yoki. Na cidade de Tete é forte a extração de carvão pela companhia Vale, por isso tem muitos brasileiros aqui. E a farofinha temperada ajudou bastante.

A escola agora está vazia, o governo este ano começou um novo sistema de avaliação para a seleção de candidatos. Agora é com gabarito, esse de preencher bolinhas.

Os formadores ficaram sabendo da mudança alguns dias antes e os estudantes 30 minutos antes de começar a prova. Eu acredito que estava tão nervosa quanto os candidatos em certo momento, treinei várias vezes para pintar os espaços sem errar, e como podem explicar 30 minutos antes como fazer isso ?
As provas começaram em uma terça feira e os membros do ministério da educação chegaram na segunda, fazendo uma reunião conosco as 5 da tarde.

No dia seguinte após a realização do primeiro dia de provas tivemos um encontro, todos os vigias o diretor e os organizadores. Perguntaram, então, como tinha sido a realização da prova.
Maurício citou a falta de documentos com foto, como saber se o candidato é realmente aquela pessoa ?
Eu citei a falta de consideração com os candidatos, dizendo que todos deveriam saber da mudança do formato e não somente 30 minutos antes do inicio da avaliação. Então que no próximo ano, no momento da inscrição eles possam ver como será o gabarito.
Disseram que sim.
Luísa citou como as coisas foram feitas na correria, ela tinha motivos, já que bateram na porta de seu quarto a meia noite para pedir para ela fazer algo que não era de sua responsabilidade. Que o tempo correto de começar os preparativos seria pelo menos um mês antes.
Disseram que ano que vem eles não chegarão na segunda, mas sim, no domingo. Então terão mais tempo de organizar. Boa notícia?

Isso quer dizer que tivemos tempo de produzir livros que uma amiga tinha feito ensinando coisas básicas de pré escola em Inglês e Chewa. E eu traduzi para o Português. Então um senhor vai ensinar Português em sua igreja já que as pessoas de lá só falam a língua local, Chewa. Ele queria pagar com um frango, mas eu disse que não era necessário, o pagamento seria saber que os participantes aprenderam Português.

Natal e Ano Novo


Segundo fim de ano fora de casa, mesmo que com muita saudade da família é muito bom. Ano passado no inverno de Pittsburgh e Nova Iorque e neste ano no verão de Maputo e Vilanculos.

Eu,Luísa e Maurício saímos de Chiúta no dia 14 de dezembro e depois dos nossos dois dias de viagem chegamos em Maputo. E trabalhamos alguns dias na tradução de relatórios, até que nossos colegas de Michigan que estão em outros projetos se juntaram a nós.

Dia 21 saímos e fomos ao centro de Moçambique. Conhecemos um lugar chamado Fortaleza, com vários canhões da época da guerra de libertação. E ali perto estava o “Maputo Shopping”, foi quando atacamos pizzas e eu comi sorvete depois de 4 meses, muito tempo para mim...louca por doces! Haha

Mas no dia seguinte é que eu me diverti em Maputo...fomos á uma feirinha de artesanato em uma praça, muitas coisas lindas! E os vendedores vinham e ofereciam um preço, mas eu dizia que estava caro então ele ofereciam outro preço e no fim saí com várias coisinhas e... 2 REAIS!

Estava quase indo embora e um dos vendedores chegou “Amiga brasileira, amiga brasileira! Troca para mim!” Olhei e eram 2 Reais.Pensei que seria um pouco complicado para ele trocar um valor tão baixo em uma casa de câmbio. “Ok, 30 Meticais para você e os 2 Reais para mim.”

Depois pegamos a querida “Chapa” e fomos para a Junta, uma rodoviária de chapas. Queríamos comprar a passagem de ônibus para Vilanculus, mas não era possível. Somente na hora.

Então voltamos ao shopping e...cinema! Em 3D!Realmente não imaginei que iria ao cinema aqui,mas foi muito, muito legal! Então, estou desinformada de todos outros lançamentos, mas “O Hobbit” eu vi. Hahaha

Na noite do 24 de dezembro fizemos um jantar bem simples e bem gostoso. Comemos e ficamos conversando, cada um contando um pouco como o natal é comemorado em seu país e como é a sensação do segundo fim de ano seguido fora de casa, para 5 pessoas do nosso grupo de 7.



Dia 25 foi para arrumar as malas e descansar, porque as 4 da manhã do dia 26 de dezembro já estávamos dentro do ônibus chapa partindo para Vilanculus. Eu dormi, ou fingi que estava dormindo o tempo todo, era melhor.
As 2 da tarde chegamos na vila, andamos um pouco e no caminho do hostel de para ver o Oceano Índico, ainda não vi nada igual. Diferentes tons de azul e um pouco de verde. Maravilhoso.
Chegando ao hostel, The Beach Village,  fiquei super animada, eram quartos com 4 camas e banheiro comum, mas tudo bem limpo e organizado, uma piscina e o mar ali, bem em frente.



Foi realmente maravilhoso, dormia no máximo 5 horas e não me importava, queria aproveitar ao máximo esse lugar.
Tivemos a oportunidade de conhecer uma ilha, Magaruque. Incluso no pacote ida e volta de barco, “snorkelling”, e alimentação.

Uma delícia estar em meio aquela imensidão de azul, quase perdi o almoço preparado no barco porque não queria sair do mar, já que estava vendo os peixes mais lindos, tinha que era verde, azul, amarelo, rosa e roxo. Foi maravilhoso.
Fizemos amizade com moradores locais e pudemos participar de um jantar muito gostoso na casa da Eugênia, aprendi a comer Caranguejo com matapa, couve com molho de amendoim, tipicamente moçambicano.
Tínhamos feito amizade com um casal super querido e especial dos Estados Unidos que são voluntários pela Peace Corp. na África do Sul. Já estão na África por quase três anos, os admirei muito pelas histórias que contavam. E fiquei feliz por Moçambique estar numa fase tão pacífica, diferente do vizinho África do Sul, que ainda tem marcado as conseqüências dos anos de Apartheid.Então na noite do dia 31 fizemos um jantar muito gostoso de peixe e um amigo secreto. Depois vimos uma queima de fogos que aconteceu no hostel vizinho, e fomos ali perto para dançar, acreditem “Gangham Style”, Selim, amiga coreana tentou novamente me ensinar, mas não deu muito certo.
Começamos a viagem de volta no dia 2 de Janeiro, mais um ônibus chapa de vilanculus até Chimoio, uma cidade que já conhecíamos e sabíamos que tinha um hostel de uma alemã, encontramos lá três pessoas que vimos em Vilanculus. Eles estavam indo para o Malauí, mesmo caminho que nós que moramos quase na fronteira. Então na madrugada seguinte outro ônibus chapa até Tete, e assim mais duas chapas verdadeiras e um pouco de caminhada e estávamos de volta.

E assim foi o segundo fim de ano fora de casa, mas rodeada de amigos e pessoas muito queridas.

Chapa


Esse é um tópico que merece um espaço especial. As Chapas.


Quando estava nos Estados Unidos comecei a ler o blog da Rísia, uma amiga brasileira que passou 6 meses aqui em Moçambique também. Um dos posts dela sobre a Chapa tinha a frase: “Cabe sim!”.
Na nossa festa de despedida os colegas que tinham acabado de voltar do Malauí também tentaram nos explicar...mas é aquela coisa do : Você não entende, você sente!


Pode-se dizer que Chapa é um meio de transporte. Acredito que o mais comum em Moçambique.
Existe a caixa fechada, que é aquela van de 15 lugares. Sim...15 lugares onde entram no mínimo 25 pessoas entre galinhas, cabritos, malas, sacos de alimentos de 50 quilos.

Existe a caixa aberta, o pequeno caminhão. Onde entram no mínimo 40 pessoas entre galinhas, malas, sacos de alimentos de 50 quilos,verduras, ou qualquer outro produto.
E também os ônibus, bom, são ônibus que há alguns anos deviam ser muito bons.Percorrem distâncias maiores, e não vão todos para o mesmo local, alguns param no caminho, outros entram. Também acima da capacidade, mas as pessoas vão sentadas no corredor em banquinhos ou galões de água. Com música moçambicana no último volume, não aquela legal tradicional em línguas locais, mas aquela em português e que tenta imitar o pop norte americano, o que me deixa com vontade de não saber português para não entender as letras totalmente sem coerência ou conteúdo.  Mas se é o que deixa o motorista atento, tudo bem! Que fique o Tum,Tum,Tá, Tá, Chu, Chu, Che, Che...
O preço também é coerente, de Tete até Chiúta duas horas de viagem,são 95 Meticais ou 3,27 Dólares ou 6,55 Reais.

O motorista obviamente dirige e o cobrador tem o trabalho de colocar o maior número de pessoas possível dentro do carro, informar ao motorista quando alguém quer descer e recolher o dinheiro. Já aconteceu de um cobrador ir literalmente pelo lado de fora do carro. Porta aberta e se segurando por dentro.



No começo eles tinham uns preços especiais para nós três, estrangeiros. Mas nada que um bom português e uma negociação justa não nos fizesse voltar para o preço que todos pagam. Os colegas que estão no Malauí não tiveram a mesma sorte, eles pagam o “preço dos brancos”.

E quando param vários vendedores de refrigerante, água, biscoitos ou qualquer outra coisa vem correndo para conquistar os clientes.


Depois de 5 meses já sabemos bem as paragens. E que o melhor lugar é sentar na terceira fileira, longe do possível cabrito e não estamos no aperto dos dois primeiros assentos.
Confesso que fiquei bem feliz de poder andar de ônibus quando estávamos em Maputo.


                                   É realmente um post para ajudar a entender as futuras histórias J


Graduação


*Fiquei um tempo sem postar, mas estava escrevendo um pouco, então aqui começam os posts que estavam só no Word!*

Dia 7 de dezembro foi a graduação da escola. Já tínhamos trabalhado fazendo os certificados e diplomas, eu já havia ido á cidade para pedir doações de comida para o almoço.

Cheguei em Chiúta dia 23 de agosto, passei com eles setembro, outubro e novembro. Não foi muito tempo, mas para mim foi suficiente pare ter aquele aperto no coração ao vê-los indo embora.

Na noite do dia 6 o orientador pedagógico marcou uma reunião para esclarecer algumas coisas, aproveitei e depois queria dizer á eles  que tinha gostado muito desse tempo que passamos juntos. Não cheguei ao certo na terceira frase e comecei a chorar. 



 Alguns me acompanharam nas lágrimas e outros começaram a bater palmas. Foi o momento de pensar, sim é claro que vale a pena. Sair da zona de conforto e encontrar pessoas assim, tão maravilhosas e semelhantes nas diferenças.

Penso no tipo que amizade que posso ter no Brasil ou Estados Unidos, encontro a pessoa um dia, converso, ah ok, “facebook friend”. E aqui ? Pensei em diversas maneiras de como encontrá-los novamente no futuro, nem que eu volte para Moçambique, não acredito que seria fácil. Mas vão ficar sempre no coração.

Semana passada uma aluna e um aluno me ligaram, disseram que estavam com saudades e que se tivessem a oportunidade de comprar créditos novamente eles me ligariam. Eu é que tenho que comprar créditos, eles merecem =)

Sobre a cerimônia, foi tudo basicamente como sempre acontece em Moçambique. Seguindo o protocolo. O governador do estado de Tete estava presente, foram muitos discursos políticos, representantes da administração local, vermelho que é a cor do principal partido a Frelimo.

O momento em que os estudantes foram realmente o centro foi quando eles receberam os diplomas. Que durou 30 minutos em uma cerimônia de 150 minutos.



                                                           Porém, eles se graduaram! :D

Tenho certeza muitos serão aqueles professores que fazem a diferença na vida dos estudantes e dão exemplo, e eu fico muito orgulhosa de ter feito parte da formação deles.








sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Amor e Luz! :)


Escrevi, e pensei um pouco qual era a minha opinião sobre até onde devemos tornar nossa vida pública e postar algumas coisas no blog. Desta vez, a minha conclusão foi a de que vemos tantas histórias tristes, acho que posso contar um pouco de uma história de amor, que não por minha vontade mudou de capítulo enquanto eu estou  aqui em Moçambique

                                                                           ***

Por conhecidência, ou não, li duas vezes esta manhã a frase de Albert Pine “ O que fazemos por nós morre conosco, mas o que fazemos para o mundo é imortal”.

E o que poderia ser melhor para permanecer para sempre se não o amor ?

Uma mulher, forte e ao mesmo tempo carinhosa, ás vezes teimosa, mas sempre sábia, linda muito linda.

Muito amada, o que exigiu desapego da família...já que a Dona Helena Peraro não foi mãe de somente dois filhos ou avó de minha mãe seus irmãos e primos, ah...ela teve muitos netos. E bisavó, bom, eu tive um pouco mais de sorte já que é mais comum dizer a vó e não a bisavó...ela foi só minha por quase 15 anos, a idade que eu tinha quando as priminhas e também o priminho começaram a aumentar essa família maravilhosa. 

Nós, as bisnetas e bisnetos temos muita sorte...a bisa Helena e o biso Luís tiveram dois filhos maravilhosos, e eles receberam tanto, mais tanto amor que passaram aos seus filhos, nossos pais. Esse amor que a bisa Helena semeou é sim, imortal. Está dentro de cada um de nossa família e até mesmo dos amigos.

Tenho a imensa alegria de me lembrar de ir dormir na casa dela, de comer seus bolos, pães, bolinhos de chuva e café. E nunca entender como ela podia dizer que não gostava de cozinhar e assim mesmo as coisas ficarem tão boas! Amor...sim, amor.  

Muitas histórias, a da raposa no telhado, de Moisés no cestinho, da infância da minha mãe e de meu avó, do lenço que ela ganhou do meu bisavó.

O cheiro que eu sentia quando eu chegava de viagem e ela me abraçava, beijava meu pescoço e dizia “Sabia que eu te amo ?” e eu respondia “ eu sei, vó.Eu também te amo”. É claro que eu sabia, bisa Helena não tinha problemas em demonstrar carinho e atenção, sem nunca esperar algo em troca.  

Matemática, ela gostava muito, infelizmente não pôde estudar o tanto que queria...mas não ficou por se lamentar, palavras cruzadas são uma ótima forma de exercitar o cérebro... eu gostava de sentar no sofá e ver o que ela já havia completado nas revistinhas “Coquetel”.

E foi assim que aprendi a decorar aniversários, nossa, ela sabia todos...sabia e ligava para desejar parabéns, o que não era muito difícil já que ela também decorava os números de telefone.



Confesso que dói saber que dessa vez eu vou chegar de viagem e não vou sentir aquele cheiro, beijo e não vou precisar dizer “ eu sei vó.Eu também te amo”.

Mas eu sei, tenho certeza de que você, vó Bisa sabe que eu e muitas outras pessoas te amamos muito. Que você ensinou com exemplo de amor, que você teve um enorme sucesso em construir sua família, ela é incrível e graças á você somos tão felizes e unidos. Mas é assim mesmo isso se chama vida.

 E isso é VIDA : “ teu corpo carnal é uma das manifestações tuas, e não tua totalidade”.
 Tua totalidade é Luz,  esta mesma que vai continuar nos iluminando para todo o sempre!




segunda-feira, 22 de outubro de 2012

...

Comecei então termino hoje.

Enfim, eu fiquei inquieta com aquela coruja ( ou mochu em Moçambique ) lá, presa no cozinha. Perguntei ás pessoas que moram onde ela estava e eles me disseram eu eu poderia libera-lá. Foi um trabalho de trio, eu Luísa e Murício...abrimos as portas, a janela e ela não saia...então o guarda, um dos que queria matar chegou. Entrou, a coruja fugiu...e foi pega por corvos. Tentamos afastá-los mas não foi possível, ela voou e eles a seguiram.



Ah, algumas pessoas não ligaram. Mas outras não ficaram felizes, achei que estava tudo bem, já que eu tinha pedido permissão. Não...um ligou para o curandeiro e ele disse que se a coruja foi atacada é porque ela pertencia á algum feiticeiro. 

Parece surreal estar escrevendo isso, mas é muito real para as pessoas daqui. E eu é que estou no lugar deles, então vou pedir desculpas mais uma vez, não quero ser uma intrometida de culturas e crenças. 
Sinto muito aos protetores de animais, mas a crença de um povo é muito grande. 

Dica 2 do dia : Coruja na África não tem o mesmo significado que no Brasil, muito menos na Grécia. Então, é melhor, somente, respeitar. 

E vou aprender a mostrar melhor que eu respeito. Mas ainda prefiro seguir com essa versão da coruja : 


"Coruja é a ave soberana da noite. Para muitos povos a coruja significa mistério, inteligência, sabedoria e conhecimento. Ela tem a capacidade de enxergar através da escuridão, conseguindo ver o que os outros não veem.
CorujaA coruja simboliza a reflexão, o conhecimento racional e intuitivo. Na mitologia grega, Athena, a deusa da sabedoria, tinha a coruja como símbolo.
Os gregos consideravam a noite o momento propício para o pensamento filosófico. Pela sua característica de animal notívago (noturno), era vista pelos gregos como símbolo da busca pelo conhecimento.
Havia uma tradição que dizia que quem come carne de coruja adquire seus dons de previsão e clarividências, mostrando poderes divinatórios.
Enquanto todos dormem a coruja fica acordada, com os olhos arregalados, vigilante e atenta aos barulhos da noite. Por isso, representa para muitas culturas uma poderosa e profunda conhecedora do oculto.
A coruja tem a particularidade de conseguir girar o pescoço em até 270º para observar algo ao seu redor, permanecendo com o resto do corpo sem o menor movimento. A grande capacidade de visão e audição torna as corujas exímias caçadoras.
A coruja é escolhida como mascote dos escoteiros e dos cursos universitários de Filosofia, Pedagogia e Letras.
O termo "coruja" geralmente é aplicado ao pai ou a mãe que ressalta com um certo exagero as qualidades dos filhos. É extensivo a outros familiares como tios, avós e outros."    http://www.significados.com.br/coruja/ 



Cultura, ciência, crença.


Não escrevi durante o mês passado por alguns motivos, como ficar um tempo sem computador.Mas hoje, não tive como não postar.

Cultura é algo interessante. Já li algumas coisas sobre sinais, como o de pedir carona no Brasil, que pode significar algo totalmente diferente em outros países.

Estou no centro de Moçambique, entre Malauí, Zâmbia e Zimbábue.E depois de dois meses, eu já não lembro a última vez que tomei banho de chuveiro aqui, só no balde mesmo, o que em um calor de 43ºC , já não é um problema...a água fica quente no balde.

De domingo sei que deverá faltar energia, que o telefone ficará sem área e consequentemente não terei internet.

Quando eu Maurício e Luísa vamos á vila aqui perto as pessoas já nos reconhecem. Mas algo que não me acostumo e nem quero, é quando as crianças começam a sorrir , gritar “azungo” e algumas vezes correr. É sempre divertido, é sempre uma delícia.

Não sei se já comentei, “azungo” é branco em Chewa, uns dos idiomas locais. E uma dica, que ficou clara essa semana, se um dia você decidir vir á África, nunca pense que se você fazer uma criança rir, você já estará feliz e sentirá que fez alguma coisa. Garanto que você estará feliz em 5 minutos e não terá feito nada. Um sorriso aqui ? É muito fácil.

Tenho capulana, que é um tecido que as mulheres usam.Gosto de comer xima, um prato típico, podemos dizer parece um fubá, mas é feito de farinha de milho. Sem gosto, mas é só misturar com algo mais que está tudo bem J

Mas tem algo na cultura que é um pouco complicado de lidar.Como disse no começo estou em uma vila, em Moçambique e rodeada por outros três países. E essa semana descobri algo novo do África, o misticismo.
Um certo dia, começaram a dizer que um morto tinha voltado á viver. Logo de cara pensei, deve ser aquela doença que os batimentos cardíacos ficam tão fracos que pensam que a pessoa está realmente morta. Mas detalhe, enterraram este homem em 2005. Ok, estranho. Perguntamos o que estava acontecendo. Nos disseram que por aqui existem feiticeiros que colocam um cacho de bananas no caixão e as pessoas vêem essa pessoa que pensam estar morta, então esse feiticeiro leva este “morto” para trabalhar na machamba, o que chamamos que horta no Brasil. E como esse feiticeiro morreu, as pessoas estão voltando.

Ok, não sei como isso acontece, para mim é algum tipo de ilusionismo. Perguntei muito sobre isso, me responderam tudo aqui na escola, mas me aconselharam a não perguntar muito aos mais velhos na vila, se eu não acredito eles podem me fazer acreditar, ok novamente. Parei de pensar no assunto. Mas ontem disseram que mais três pessoas “voltaram”.

E hoje, acordei bem as 6 da manhã, me arrumei e fui á casa aqui ao  lado onde tem geladeira para pegar uma água gelada, pois o calor já estava forte. Quando fui entrar na cozinha, vi pela janela algo se mexendo, pensei que era estranho, a porta estava fechada, a luz apagada e algo se mexendo, olhei fixamente e vi uma coruja bem grande ali dentro. Meu animal preferido, se me perguntarem naquelas perguntas “qual sua cor, música ou animal preferido?”.

Então, perguntei ao Pedro, porque estavam prendendo a coruja na cozinha. Mas estava animada, corri para pegar a minha máquina. Quando voltei, José me disse que não adiantava eu pegar a máquina, ela não iria sair na foto.
Como assim ?

Porque a cultura africana diz que coruja é um animal de feiticeiros, leva mensagens. Eu disse que para mim, o pombo correio que levava mensagens. A resposta ? “Sim, também. Mas são mensagens boas. A coruja leva más mensagens”.

Ao mesmo tempo que isso acontecia eu estava conversando com meu namorado, que esteve no Malauí durante 6 meses e teve uma coruja lá, o Harry. Tentaram matar e ele cuidou. Resultado : “Não deixe que matem o primo do Harry!” haha.

Pedi várias vezes para alguém só me acompanhar que eu abriria a porta. Me falavam, com essas histórias que estão acontecendo, o cemitério aqui perto, isso não é coisa boa, se você quiser você pode ir, tem permissão.

Mas depois de tudo isso, ainda acredito que essa história de morto-vivo ainda tem uma boa resposta científica, porém a coruja ainda está lá, eu não fui abrir a porta. Isso quer dizer que eu já não acredito tanto na ciência quando ainda vou passar 4 meses aqui. =P

Uma experiência interessante. Imaginava os primeiros desafios, mas não algo assim. Tenho que fazer algo, e vou começar escondendo melhor o meu diário, que tem na capa o desenho que uma grande e bela coruja. =)


Bom, dá para ver que ela apareceu na foto.