É engraçado como em alguns momentos parece que o tempo não
vai passar nunca, me lembro uma época que eu contei as semanas que eu ainda
tinha aqui em Moçambique, eram 17...hoje eu olhei no calendário e lá está, 8 de
fevereiro em duas semanas.
E me lembro ainda de estar em Michigan, esperando pelo time
que tinha ido para o Malauí em fevereiro, quando o meu time começou. Ansiosa
para ouvir as histórias, conselhos e ver as fotos. Hoje já penso na minha hora
de voltar...onde vou mostrar as fotos, como vou contar as histórias. E
principalmente como incentivar as pessoas a seguirem seus sonhos. Que não
necessariamente precisa ser vir para a África.
Confesso que não tenho ainda a sensação se missão cumprida.
Tenho mais a sensação de missão iniciada, e muito bem. Não que eu vá voltar
exatamente para Chiúta e viver aqui, mas acredito que agora sou capaz de ver as
coisas de outra maneira e consequentemente ter atitudes que tem um melhor
resultado.
Coisas do dia-a-dia daqui que não fazia parte da minha zona
de conforto. A temporada de chuvas começou em novembro, depois que chegamos de
Vilaculus, a bomba de água que tira a água do subsolo estava danificada, isso
significa. Baldes na chuva que vai ser daí que tiramos água! Me lembro da
primeira vez que um dos professores que vive aqui colocou o balde na chuva.
Pensei “sério? Banho de chuva na chuva até que é legal, mas...”.
Enfim, hoje eu espero ansiosamente pela chuva que vai encher
os baldes e providenciar um banho de caneca bem refrescante! :D
O milho das machambas, ou pequenas hortas, também está bem
grande. A quantidade de água foi boa para deixá-los altos. Ótimo,já que a base
de alimentação aqui é o milho.
Infelizmente a água da chuva também trouxe um animalzinho,
bem pequenino, preto e vermelho que libera um líquido e deixa uma alergia bem
estranha. Luísa teve, eu tenho, mas já está melhorando a base de muita pomada.
Quando cheguei também tinha muita couve, já não é mais
época. Feijão ás vezes, cabrito fez tempo que não vejo na panela, mas tudo bem,
eu não como carne. Bom, não comia, a não variedade de alimentos me fez comer
alguns franguinhos desde que cheguei. Carapaú, o peixe que vem da Namíbia,
quando compram na cidade, tem. E frito eu até que gosto. Quando eu e meu trio
temos dinheiro partimos para o macarrão e molhos enlatados, é uma forma de
variar.
Achamos até leite condensado e só posso dizer uma coisa :
MOÇA, isso é leite condensado. Nada mais.
haha
Ah, mais algo igualzinho é a farofa Yoki. Na cidade de Tete
é forte a extração de carvão pela companhia Vale, por isso tem muitos
brasileiros aqui. E a farofinha temperada ajudou bastante.
A escola agora está vazia, o governo este ano começou um
novo sistema de avaliação para a seleção de candidatos. Agora é com gabarito,
esse de preencher bolinhas.
Os formadores ficaram sabendo da mudança alguns dias antes e
os estudantes 30 minutos antes de começar a prova. Eu acredito que estava tão
nervosa quanto os candidatos em certo momento, treinei várias vezes para pintar
os espaços sem errar, e como podem explicar 30 minutos antes como fazer isso ?
As provas começaram em uma terça feira e os membros do
ministério da educação chegaram na segunda, fazendo uma reunião conosco as 5 da
tarde.
No dia seguinte após a realização do primeiro dia de provas
tivemos um encontro, todos os vigias o diretor e os organizadores. Perguntaram,
então, como tinha sido a realização da prova.
Maurício citou a falta de documentos com foto, como saber se
o candidato é realmente aquela pessoa ?
Eu citei a falta de consideração com os candidatos, dizendo
que todos deveriam saber da mudança do formato e não somente 30 minutos antes
do inicio da avaliação. Então que no próximo ano, no momento da inscrição eles
possam ver como será o gabarito.
Disseram que sim.
Luísa citou como as coisas foram feitas na correria, ela
tinha motivos, já que bateram na porta de seu quarto a meia noite para pedir
para ela fazer algo que não era de sua responsabilidade. Que o tempo correto de
começar os preparativos seria pelo menos um mês antes.
Disseram que ano que vem eles não chegarão na segunda, mas
sim, no domingo. Então terão mais tempo de organizar. Boa notícia?
Isso quer dizer que tivemos tempo de produzir livros que uma
amiga tinha feito ensinando coisas básicas de pré escola em Inglês e Chewa. E
eu traduzi para o Português. Então um senhor vai ensinar Português em sua
igreja já que as pessoas de lá só falam a língua local, Chewa. Ele queria pagar
com um frango, mas eu disse que não era necessário, o pagamento seria saber que
os participantes aprenderam Português.
A coruja simboliza a reflexão, o conhecimento racional e intuitivo. Na mitologia grega, Athena, a deusa da sabedoria, tinha a coruja como símbolo.