Esse é um tópico que merece um espaço especial. As Chapas.
Quando estava nos Estados Unidos comecei a ler o blog da Rísia, uma amiga brasileira que passou 6 meses aqui em Moçambique também. Um dos posts dela sobre a Chapa tinha a frase: “Cabe sim!”.
Na nossa festa de despedida os colegas que tinham acabado de voltar do Malauí também tentaram nos explicar...mas é aquela coisa do : Você não entende, você sente!
Pode-se dizer que Chapa é um meio de transporte. Acredito
que o mais comum em Moçambique.
Existe a caixa fechada, que é aquela van de 15 lugares.
Sim...15 lugares onde entram no mínimo 25 pessoas entre galinhas, cabritos,
malas, sacos de alimentos de 50 quilos.
Existe a caixa aberta, o pequeno caminhão. Onde entram no
mínimo 40 pessoas entre galinhas, malas, sacos de alimentos de 50
quilos,verduras, ou qualquer outro produto.
E também os ônibus, bom, são ônibus que há alguns anos
deviam ser muito bons.Percorrem distâncias maiores, e não vão todos para o
mesmo local, alguns param no caminho, outros entram. Também acima da
capacidade, mas as pessoas vão sentadas no corredor em banquinhos ou galões de
água. Com música moçambicana no último volume, não aquela legal tradicional em
línguas locais, mas aquela em português e que tenta imitar o pop norte americano,
o que me deixa com vontade de não saber português para não entender as letras
totalmente sem coerência ou conteúdo. Mas
se é o que deixa o motorista atento, tudo bem! Que fique o Tum,Tum,Tá, Tá, Chu,
Chu, Che, Che...
O preço também é coerente, de Tete até Chiúta duas horas de
viagem,são 95 Meticais ou 3,27 Dólares ou 6,55 Reais.
O motorista obviamente dirige e o cobrador tem o trabalho de
colocar o maior número de pessoas possível dentro do carro, informar ao
motorista quando alguém quer descer e recolher o dinheiro. Já aconteceu de um
cobrador ir literalmente pelo lado de fora do carro. Porta aberta e se
segurando por dentro.
No começo eles tinham uns preços especiais para nós três, estrangeiros. Mas nada que um bom português e uma negociação justa não nos fizesse voltar para o preço que todos pagam. Os colegas que estão no Malauí não tiveram a mesma sorte, eles pagam o “preço dos brancos”.
E quando param vários vendedores de refrigerante, água, biscoitos ou qualquer outra coisa vem correndo para conquistar os clientes.
Depois de 5 meses já sabemos bem as paragens. E que o melhor
lugar é sentar na terceira fileira, longe do possível cabrito e não estamos no
aperto dos dois primeiros assentos.
Confesso que fiquei bem feliz de poder andar de ônibus
quando estávamos em Maputo.
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