Escrevi, e pensei um pouco qual era a minha opinião sobre até onde devemos tornar nossa vida pública e postar algumas coisas no blog. Desta vez, a minha conclusão foi a de que vemos tantas histórias tristes, acho que posso contar um pouco de uma história de amor, que não por minha vontade mudou de capítulo enquanto eu estou aqui em Moçambique
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Por conhecidência, ou não, li duas vezes esta manhã a frase
de Albert Pine “ O que fazemos por nós morre conosco, mas o que fazemos para o
mundo é imortal”.
E o que poderia ser melhor para permanecer para sempre se
não o amor ?
Uma mulher, forte e ao mesmo tempo carinhosa, ás vezes
teimosa, mas sempre sábia, linda muito linda.
Muito amada, o que exigiu desapego da família...já que a Dona
Helena Peraro não foi mãe de somente dois filhos ou avó de minha mãe seus
irmãos e primos, ah...ela teve muitos netos. E bisavó, bom, eu tive um
pouco mais de sorte já que é mais comum dizer a vó e não a bisavó...ela foi
só minha por quase 15 anos, a idade que eu tinha quando as priminhas e também o
priminho começaram a aumentar essa família maravilhosa.
Nós, as bisnetas e bisnetos temos muita sorte...a bisa
Helena e o biso Luís tiveram dois filhos maravilhosos, e eles receberam tanto,
mais tanto amor que passaram aos seus filhos, nossos pais. Esse amor que a bisa
Helena semeou é sim, imortal. Está dentro de cada um de nossa família e até
mesmo dos amigos.
Tenho a imensa alegria de me lembrar de ir dormir na casa
dela, de comer seus bolos, pães, bolinhos de chuva e café. E nunca entender
como ela podia dizer que não gostava de cozinhar e assim mesmo as coisas
ficarem tão boas! Amor...sim, amor.
Muitas histórias, a da raposa no telhado, de Moisés no
cestinho, da infância da minha mãe e de meu avó, do lenço que ela ganhou do meu
bisavó.
O cheiro que eu sentia quando eu chegava de viagem e ela me
abraçava, beijava meu pescoço e dizia “Sabia que eu te amo ?” e eu respondia “
eu sei, vó.Eu também te amo”. É claro que eu sabia, bisa Helena não tinha
problemas em demonstrar carinho e atenção, sem nunca esperar algo em troca.
Matemática, ela gostava muito, infelizmente não pôde estudar
o tanto que queria...mas não ficou por se lamentar, palavras cruzadas são uma
ótima forma de exercitar o cérebro... eu gostava de sentar no sofá e ver o que ela
já havia completado nas revistinhas “Coquetel”.
E foi assim que aprendi a
decorar aniversários, nossa, ela sabia todos...sabia e ligava para desejar
parabéns, o que não era muito difícil já que ela também decorava os números de telefone.
Confesso que dói saber que dessa vez eu vou chegar de viagem
e não vou sentir aquele cheiro, beijo e não vou precisar dizer “ eu sei vó.Eu
também te amo”.
Mas eu sei, tenho certeza de que você, vó Bisa sabe que eu e
muitas outras pessoas te amamos muito. Que você ensinou com exemplo de
amor, que você teve um enorme sucesso em construir sua família, ela é incrível
e graças á você somos tão felizes e unidos. Mas é assim mesmo isso se chama
vida.
E isso é VIDA : “ teu
corpo carnal é uma das manifestações tuas, e não tua totalidade”.
Tua totalidade é
Luz, esta mesma que vai continuar nos
iluminando para todo o sempre!
Que lindo Dan. Você me fez sentir ainda mais saudade dela com esse texto...Puro, simples e absolutamente verdadeiro! Um beijo grande minha linda!
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